• 20 julho

    Silêncios que ferem mais que palavras

    Quando o silêncio machuca mais do que um “não”: a dor de ciclos encerrados sem presença

    Encerrar um ciclo, seja ele profissional, amoroso ou entre amizades, é parte da vida. Mas o que muitas vezes nos fere profundamente não é o fim é a forma como ele acontece. Ou, pior ainda, como não acontece.

    Vivemos em tempos em que se fala muito sobre empatia, acolhimento e escuta. Palavras como sororidade, cura emocional e autocuidado circulam nas redes como mantras. E, no entanto, o que vejo e vivencio é o oposto acontecendo nos bastidores.

    Cada vez mais, observo pessoas sendo deixadas no vácuo emocional. Relações que são encerradas com o peso do silêncio, sem um “até aqui”, sem um fechamento, sem um simples “não posso continuar”.

    A metáfora que carrego comigo é simples, mas diz tudo:

    Duas pessoas caminham juntas num parque.
    Compartilham histórias, passos, planos.
    De repente, uma delas cai num buraco.
    A outra, distraída ou despreparada, segue por alguns passos…
    Até perceber que está sozinha.
    E então, o chão também lhe falta.

    Essa é a sensação de quem foi deixada sem explicação.
    Essa é a dor de quem confiava e, de repente, se vê no escuro, tentando entender onde foi que tudo se rompeu.

    🔸 Isso acontece em relacionamentos amorosos.
    🔸Isso acontece entre amigas.
    🔸E, com frequência cada vez maior, isso acontece entre profissionais e clientes.

    A ausência de um “não quero mais”, “encerro aqui”, “essa etapa terminou” deixa feridas que não são físicas, mas emocionalmente profundas.
    E quando isso acontece entre mulheres, o abalo é ainda maior.

    Falo aqui como terapeuta e como mulher.
    Como alguém que acredita  e vive o resgate do Sagrado Feminino.

    Ver mulheres deixando outras mulheres no vazio, ignorando vínculos, desconsiderando afetos e abandonando o outro em silêncio… é doloroso.
    É um reflexo claro de desconexão com a própria essência feminina.

    Quem está realmente enraizada no Sagrado sabe:
    🔸O fim de um ciclo precisa de presença.
    🔸Encerrar algo exige coragem.
    🔸E a verdade é um gesto de amor.

    Quando uma profissional que fala de acolhimento, de dor emocional e de empatia simplesmente sai de cena sem dizer nada, ela não está apenas encerrando um contrato ela está negando o cuidado.
    Ela está deixando um abismo no lugar onde havia vínculo.

    Falar de cura exige coerência entre discurso e prática.
    E crescer na internet falando de espiritualidade, enquanto machuca com indiferença na vida real, é como construir um castelo sobre areia.

    Eu vivi isso. Duas vezes este ano.
    E não estou sozinha muitas mulheres que atendo também estão atravessando essa dor.
    É preciso nomear: isso é falta de ética, de respeito, de humanidade.

    E como diz um antigo ensinamento:
    a mesma escada que se sobe é a que se desce.
    A forma como tratamos as pessoas no fim dos ciclos diz muito sobre quem somos no caminho.

    Se você já viveu isso, eu te digo:
    Sua dor é legítima.
    Você não exagerou.
    Quem faltou foi o outro com coragem, com ética, com presença.

    E se você é uma profissional da escuta, do cuidado, da espiritualidade:
    Honre seus finais tanto quanto seus começos.
    Eles são parte da sua missão.
    Que esse texto seja um espelho, uma cura e um chamado à verdade.

    Leia também- Seja Gentil consigo mesma: A cura leva tempo: Aqui

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