Silêncios que ferem mais que palavras
Quando o silêncio machuca mais do que um “não”: a dor de ciclos encerrados sem presença
Encerrar um ciclo, seja ele profissional, amoroso ou entre amizades, é parte da vida. Mas o que muitas vezes nos fere profundamente não é o fim é a forma como ele acontece. Ou, pior ainda, como não acontece.
Vivemos em tempos em que se fala muito sobre empatia, acolhimento e escuta. Palavras como sororidade, cura emocional e autocuidado circulam nas redes como mantras. E, no entanto, o que vejo e vivencio é o oposto acontecendo nos bastidores.
Cada vez mais, observo pessoas sendo deixadas no vácuo emocional. Relações que são encerradas com o peso do silêncio, sem um “até aqui”, sem um fechamento, sem um simples “não posso continuar”.
A metáfora que carrego comigo é simples, mas diz tudo:
Duas pessoas caminham juntas num parque.
Compartilham histórias, passos, planos.
De repente, uma delas cai num buraco.
A outra, distraída ou despreparada, segue por alguns passos…
Até perceber que está sozinha.
E então, o chão também lhe falta.
Essa é a sensação de quem foi deixada sem explicação.
Essa é a dor de quem confiava e, de repente, se vê no escuro, tentando entender onde foi que tudo se rompeu.
Isso acontece em relacionamentos amorosos.
Isso acontece entre amigas.
E, com frequência cada vez maior, isso acontece entre profissionais e clientes.
A ausência de um “não quero mais”, “encerro aqui”, “essa etapa terminou” deixa feridas que não são físicas, mas emocionalmente profundas.
E quando isso acontece entre mulheres, o abalo é ainda maior.
Falo aqui como terapeuta e como mulher.
Como alguém que acredita e vive o resgate do Sagrado Feminino.
Ver mulheres deixando outras mulheres no vazio, ignorando vínculos, desconsiderando afetos e abandonando o outro em silêncio… é doloroso.
É um reflexo claro de desconexão com a própria essência feminina.
Quem está realmente enraizada no Sagrado sabe:
O fim de um ciclo precisa de presença.
Encerrar algo exige coragem.
E a verdade é um gesto de amor.
Quando uma profissional que fala de acolhimento, de dor emocional e de empatia simplesmente sai de cena sem dizer nada, ela não está apenas encerrando um contrato ela está negando o cuidado.
Ela está deixando um abismo no lugar onde havia vínculo.
Falar de cura exige coerência entre discurso e prática.
E crescer na internet falando de espiritualidade, enquanto machuca com indiferença na vida real, é como construir um castelo sobre areia.
Eu vivi isso. Duas vezes este ano.
E não estou sozinha muitas mulheres que atendo também estão atravessando essa dor.
É preciso nomear: isso é falta de ética, de respeito, de humanidade.
E como diz um antigo ensinamento:
a mesma escada que se sobe é a que se desce.
A forma como tratamos as pessoas no fim dos ciclos diz muito sobre quem somos no caminho.
Se você já viveu isso, eu te digo:
Sua dor é legítima.
Você não exagerou.
Quem faltou foi o outro com coragem, com ética, com presença.
E se você é uma profissional da escuta, do cuidado, da espiritualidade:
Honre seus finais tanto quanto seus começos.
Eles são parte da sua missão.
Que esse texto seja um espelho, uma cura e um chamado à verdade.
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Psicóloga Transpessoal: Atendimentos terapêuticos e cursos online, Guardiã do Sagrado Feminino e Escritora
Tags:encerramento de ciclos, ética no cuidado, relações entre mulheres, responsabilidade afetiva, silêncio emocional