Quem cuida da mulher que cuida de outras mulheres?
Quem cuida da mulher que cuida de outras mulheres?
Existe uma pergunta que muitas terapeutas sabem fazer às mulheres que acompanham, mas raramente dirigem a si mesmas:
Como você está, de verdade?
Quem escolhe trabalhar com mulheres aprende a escutar dores profundas. Escuta histórias de abandono, sobrecarga, silenciamento, relações que se esvaziaram e identidades que desapareceram sob tantos papéis.
Mas existe algo que nem sempre é dito: acompanhar esses processos também nos atravessa.
A terapeuta não deixa sua história do lado de fora
A formação oferece conhecimentos, recursos e estruturas importantes para o atendimento. Mas nenhum conhecimento transforma uma terapeuta em alguém imune ao cansaço, à dúvida ou às próprias feridas.
Entramos em cada encontro levando nossa experiência, nossa sensibilidade e também os lugares internos que ainda estão sendo elaborados.
Às vezes, a história de uma mulher toca uma memória nossa. Em outras situações, desperta o desejo de protegê-la, aconselhá-la ou conduzi-la rapidamente para longe da dor. Podemos acreditar que estamos apenas ajudando, quando também estamos tentando aliviar algo que se movimentou dentro de nós.
Reconhecer isso não diminui a terapeuta. Ao contrário: amplia sua consciência e torna sua presença mais íntegra.
Quando cuidar se transforma em carregar
Existe uma diferença entre acompanhar uma mulher e carregar sua história.
Acompanhar é estar presente sem tomar para si o destino da outra. É oferecer escuta, estrutura e recursos, respeitando o tempo de quem está diante de nós.
Carregar é sair do atendimento ainda tentando resolver mentalmente a vida daquela mulher. É sentir-se responsável pelas escolhas que ela faz, pelo ritmo de seu processo ou pelos resultados que ainda não apareceram.
Quando isso acontece repetidamente, o cuidado começa a se misturar com a sobrecarga. A terapeuta pode ficar exausta, impaciente ou tomada pela sensação de que nunca está fazendo o suficiente.
Nem toda exaustão nasce do excesso de atendimentos. Algumas surgem da dificuldade de devolver simbolicamente a cada mulher aquilo que pertence à história dela.
A mulher por trás da terapeuta também precisa ser escutada
Antes de ser terapeuta, mentora, facilitadora ou guardiã, existe uma mulher.
Uma mulher com limites, desejos, contradições, necessidades e ciclos próprios. Quando essa mulher é esquecida, o trabalho pode se transformar em mais um lugar onde ela precisa ser forte, disponível e capaz de sustentar tudo.
Por isso, cuidar de si não pode ser apenas uma recomendação oferecida às clientes. Precisa fazer parte da ética interna de quem acompanha processos humanos.
Isso pode significar preservar intervalos entre os atendimentos, buscar supervisão, respeitar o próprio corpo, reconhecer quando uma história mobilizou algo pessoal e permitir-se receber o mesmo cuidado que oferece.
Você não precisa estar pronta para acompanhar outra mulher
Existe uma exigência silenciosa entre muitas terapeutas: a crença de que precisam ter todas as questões resolvidas para serem capazes de ajudar alguém.
Mas uma terapeuta não precisa ser uma mulher sem feridas. Precisa ser uma mulher consciente de que também possui uma história e responsável pela maneira como essa história participa do encontro terapêutico.
O problema não está em ser tocada pelo processo da outra. Está em não perceber quando isso acontece.
A consciência permite diferenciar o que pertence à cliente, o que pertence à terapeuta e o que nasce na relação construída entre as duas.
Cuidar de si também aperfeiçoa a escuta
Quando a terapeuta se escuta, ela deixa de precisar que a cliente melhore rapidamente para confirmar sua competência.
Ela se torna mais capaz de sustentar silêncios, respeitar resistências e acompanhar processos que não obedecem a uma linha reta. Sua presença deixa de ser movida pela urgência de resolver e passa a ser sustentada pela capacidade de permanecer.
Talvez a pergunta mais importante não seja apenas “como posso ajudar melhor esta mulher?”, mas também:
“De que lugar dentro de mim estou tentando ajudá-la?”
Essa pergunta pode transformar profundamente a qualidade de um atendimento.
Um convite às mulheres que cuidam de mulheres
Se você acompanha processos femininos e deseja aprofundar sua escuta sem se afastar de si mesma, convido você a conhecer o Método Mandala da Mulher.
A Mandala organiza diferentes dimensões da experiência feminina e ajuda a observar, de forma integrada, os movimentos, conflitos e potencialidades que atravessam a vida de uma mulher.
Mais do que oferecer respostas prontas, o método cria um campo de investigação e consciência para que cada mulher possa reconhecer o lugar em que está e o movimento que sua vida está pedindo.
Conhecer a Mandala da Mulher também é um convite para que a terapeuta amplie seus recursos sem perder sua humanidade, sua sensibilidade e sua própria voz.
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Psicóloga Transpessoal: Atendimentos terapêuticos e cursos online, Guardiã do Sagrado Feminino e Escritora
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