Você não perdeu sua essência, perdeu o contato com ela.
Há uma frase que ouço com frequência, sussurrada por mulheres em consultório, em rodas de conversa, em mensagens que chegam de madrugada: “Eu não sei mais quem eu sou.”
E toda vez que escuto isso, sinto vontade de dizer com ternura: você não se perdeu. Você só se afastou do caminho que leva até você mesma.
A essência não se perde ela se cobre
Pense numa fonte de água limpa, nascida na terra. Com o tempo, folhas caem sobre ela, terra se acumula, pedras rolam por cima. A fonte continua lá, pulsando, viva só que agora está coberta. Ninguém em sã consciência diria que a fonte “deixou de existir”. Ela apenas ficou encoberta pelo tempo, pelo peso do que foi vivido.
É exatamente isso que acontece com a nossa essência.
As cobranças da vida adulta, os papéis que assumimos mãe, esposa, profissional, cuidadora de todos menos de si —, as perdas, os silêncios que engolimos para manter a paz: tudo isso vai se acumulando como camadas sobre a fonte. Não porque a essência tenha secado, mas porque o contato com ela foi se perdendo, dia após dia, tarefa após tarefa.
Por que isso dói tanto
Existe uma dor específica em sentir que não se reconhece mais no espelho, na rotina, nas escolhas. Não é uma dor de destruição é uma dor de distância. E dor de distância se cura de um jeito diferente: não reconstruindo algo que quebrou, mas retomando um caminho que ficou esquecido.
Muitas mulheres chegam até mim achando que precisam “se encontrar” como quem procura algo perdido numa gaveta. Mas a jornada não é de busca é de retorno. Você não vai encontrar uma essência nova. Vai reconhecer, aos poucos, a que sempre esteve ali, esperando silêncio suficiente para ser ouvida de novo.
O caminho de volta começa no silêncio
Reconectar-se com a própria essência não exige grandes rupturas. Exige, antes de tudo, coragem para desacelerar o suficiente e perguntar: o que eu sinto, de verdade, quando ninguém está esperando nada de mim?
Alguns passos simples ajudam a começar esse retorno:
Reserve minutos de silêncio real, sem telas, sem tarefas apenas para escutar o que emerge quando você para.
Preste atenção ao corpo. Ele guarda memórias da sua essência muito antes da mente conseguir nomeá-las.
Observe o que ainda te emociona uma música, uma paisagem, um cheiro. A essência costuma se manifestar primeiro pela emoção, não pela razão.
Permita-se não saber. A pressa por respostas prontas é, muitas vezes, o que mais afasta do contato genuíno consigo mesma.
Você está mais perto do que imagina
Se você chegou até este texto, é sinal de que alguma parte sua já está pedindo esse reencontro. A fonte continua ali, pulsando sob as camadas. Não é preciso cavar com pressa, nem com violência. Basta começar a remover, com gentileza, uma camada de cada vez.
Você não perdeu sua essência. Você só esqueceu, por um tempo, onde ficava a trilha até ela. E trilhas, por mais tomadas pelo mato que estejam, nunca desaparecem de verdade elas apenas esperam que alguém volte a caminhar por elas.
Se este texto tocou algo em você, convido você a conhecer mais sobre o trabalho da Mandala da Mulher e os caminhos de reconexão com a essência feminina que desenvolvo há mais de 36 anos de escuta clínica.
Entre Aqui: Bem vinda! e saiba mais…

Psicóloga Transpessoal: Atendimentos terapêuticos e cursos online, Guardiã do Sagrado Feminino e Escritora
Tags:autoconhecimento feminino, essência feminina, mulheres na maturidade, reconexão consigo mesma, retorno a si mesma