21
outubro
O silêncio revela o que o barulho esconde.
O silêncio revela o que o barulho esconde.
Existe um tipo de barulho que não vem de fora. Vem de dentro: a agenda cheia, as notificações, as conversas que preenchem qualquer vazio, os pensamentos que se atropelam para não deixar espaço a uma pergunta incômoda. É um barulho que, curiosamente, muitas mulheres aprendem a buscar porque no silêncio, algumas verdades ficam impossíveis de ignorar.
O barulho como estratégia de sobrevivência
Ocupar-se o tempo todo não é, na maioria das vezes, falta de tempo. É uma forma quase sempre inconsciente de manter a atenção longe de algo que dói olhar de frente. Enquanto há barulho, não é preciso sentir o vazio de um relacionamento que se esvaziou, o cansaço de uma vida que já não faz sentido, a tristeza que não teve tempo de ser vivida.
O barulho funciona como anestesia. E, como toda anestesia, ele não resolve apenas adia. Engana o corpo, engana a mente, mas não engana a alma, que continua pedindo espaço para se expressar.
O que o silêncio insiste em mostrar.
Quando o barulho finalmente cessa numa noite sem sono, numa espera no consultório, numa pausa forçada pela vida , o que emerge costuma ser exatamente aquilo que se evitava, um sentimento não processado, uma decisão adiada, uma pergunta sobre o rumo que a vida tomou sem que fosse escolhido conscientemente.
Esse encontro pode assustar, porque parece que o silêncio “traz à tona” um problema. Mas, na verdade, o problema já estava lá, apenas coberto pelo som constante da rotina. O silêncio não cria a dor: ele apenas retira o disfarce que a mantinha invisível.
Por que vale a pena atravessar esse desconforto.
Evitar o silêncio indefinidamente tem um custo alto: ele mantém intactos padrões que só se transformam quando são vistos com clareza. Sentimentos não escutados não desaparecem eles se acumulam, endurecem, e costumam voltar de formas mais difíceis de administrar: no corpo, na irritabilidade, no distanciamento das próprias vontades.
Atravessar o silêncio, ainda que desconfortável no início, é o que permite transformar aquilo que estava apenas suprimido em algo que finalmente pode ser compreendido, elaborado e, com o tempo, curado.
Como criar espaço para o silêncio, sem medo.
Não é preciso grandes retiros ou rupturas para começar a praticar o silêncio como ferramenta de autoconhecimento. Alguns passos simples ajudam a construir essa relação aos poucos:
Reserve pequenos intervalos sem estímulos sem celular, sem música, sem tarefas mesmo que por poucos minutos.
Observe o impulso de preencher o vazio assim que ele surgir, sem julgá-lo, apenas percebendo-o.
Anote o que emerge nesses momentos, mesmo que pareça desconexo ou incômodo no início.
Vá devagar. O silêncio não precisa ser enfrentado de uma vez pode ser introduzido em doses que respeitem seu ritmo.
Busque apoio terapêutico se o que aparecer for intenso demais para ser elaborado sozinha.
O que está esperando por você no silêncio
O silêncio não é vazio é um espaço fértil, onde aquilo que o barulho escondia finalmente pode ser reconhecido, nomeado e, com o tempo, transformado. Não é inimigo de quem busca paz; é, na verdade, o caminho mais direto até ela.
Da próxima vez que sentir vontade de preencher um silêncio com qualquer coisa, experimente ficar só mais alguns segundos, o que emergir ali talvez não seja o problema pode ser, finalmente, o começo da sua resposta.
Se este texto tocou algo em você, convido você a conhecer o trabalho da Mandala da Mulher e os caminhos de reconexão que desenvolvo há mais de 36 anos de escuta clínica, para mulheres prontas para escutar o que o silêncio tem a revelar.
Entre Aqui: Bem vinda! e saiba mais…

Psicóloga Transpessoal: Atendimentos terapêuticos e cursos online, Guardiã do Sagrado Feminino e Escritora
Tags:autoconhecimento feminino, consciência emocional, escuta interior, reconexão consigo mesma, silêncio interior